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Tontura atinge 30% da população
02/05/2018 - 21h28 em Saúde

Terceira maior queixa dos pacientes em consultórios, a tontura atinge cerca de 30% da população mundial, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Para alertar sobre este sintoma que pode indicar diferentes tipos de doenças, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia instituiu este ano a data 22 de abril como o Dia da Tontura, cujo lema é "Pare de falar labirintite".

O objetivo desmistificar e chamar a atenção da população de que muitas vezes o sintoma é associado erroneamente com a labirintite – uma doença rara e difícil de ser curada. A confusão pode ocorrer devido a escrita, entre os problemas no labirinto e a própria labirintite, conforme alertam especialistas.

Em entrevista à Tribuna da Bahia, a médica otorrinolaringologista e otoneurologista Ana Maria Moinhos explicou que as tonturas mais comuns são de origem do labirinto ou de origem periférica. O labirinto é uma estrutura localizada na região interna da orelha, ligada à audição, sendo responsável por manter o equilíbrio a partir da percepção de posição do corpo.

Sendo assim, qualquer alteração no corpo, como pescoço, ouvido ou até mesmo na coluna cervical podem causar tonturas. Alterações metodológicas, como na glicemia e no colesterol também podem revelar o sintoma.

De acordo com Ana Maria, muitas dessas labirintopatias, que são doenças ligadas ao labirinto, são erroneamente associadas a labirintite – doença embasada pelo mito de que não tem cura. "Os pacientes desistem de procurar a verdadeira causa e, assim, tentam viver com a doença, usando predicamentos que podem até piorar o quadro. A tontura é um sintoma que pode indicar várias patologias, inclusive doenças graves", esclarece.

“A labirintite é, na verdade, uma inflamação raríssima desse labirinto. Existem diversas outras doenças do labirinto e do sistema vestibular com sintomas parecidos, que têm tratamentos específicos. Há, ainda, a possibilidade de uma tontura ser, na verdade, um problema neurológico, cardíaco ou psiquiátrico”, completou.

Tontura ao ler em movimento não é labirintite

Um erro também bastante comum é associar à labirintite àquela tontura quando se está lendo em movimento durante viagem em algum transporte. Nesse caso, trata-se de cinetose, uma doença causada justamente pela movimentação durante viagens.

“Essa doença também é de caráter benigno. O que ocorre é uma dissociação entre os sinais dos olhos com os sinais do labirinto para o cérebro. Enquanto o labirinto diz que estamos em movimento, os olhos dizem que estamos parados – porque estamos com olhar fixo na página. Essas informações truncadas no cérebro dão a sensação de mal-estar, podendo dar náuseas, vômito, sensação de flutuação. Fazemos a reabilitação labiríntica e o paciente fica bom”, detalhou.

Como a tontura pode ser um sinal de doenças graves, os especialistas recomendam sempre uma consulta médica. “Qualquer tontura é bom que se procure um médico. De preferência, um otorrinolaringologista. A maioria das causas de tontura quem cuida é o otorrinolaringologista, porque é de origem labiríntica. E dentro da otorrinolaringologia, tem o otoneurologista, que é o médico que cuida da nossa estabilidade corporal”, destacou Ana Maria Moinhos.

EM TRIBUNA DA BAHIA

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